quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Expectativa sobre adesão do Brasil ao ESO aumenta, mas projeto continua na Casa Civil



(Herton Escobar / O Estado de S. Paulo) A visita da presidente Dilma Rousseff ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, no mês passado, deixou a comunidade astronômica brasileira ansiosa. Um dos temas tratados no encontro teria sido a adesão do Brasil ao Observatório Europeu do Sul (ESO), localizado nos Andes chilenos. Ao fim da reunião, Dilma disse em discurso que os países veem “com muita expectativa a possibilidade de desenvolver a cooperação no que se refere à essa posição estratégica que o Chile tem no que se refere aos observatórios astronômicos, que é do imenso interesse do Brasil”.

Segundo o Estado apurou, porém, o acordo de adesão do Brasil ao ESO continua em análise na Casa Civil, sem previsão oficial de quando será encaminhado ao Congresso para ratificação. Nem a Presidência da República nem os outros dois ministérios envolvidos (Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores) deram qualquer detalhe sobre a tramitação do processo.

O acordo foi assinado em dezembro de 2010, mas precisa ser ratificado pelo Congresso para entrar em vigor. O contrato prevê o pagamento de R$ 565 milhões em dez anos, em troca de acesso integral a todos os observatórios do ESO no Chile e participação na construção do Telescópio Europeu Extremamente Grande (E-ELT) – um projeto de EU$ 1 bilhão, que depende ainda da adesão do Brasil e de mais um país europeu (Grã-Bretanha ou Espanha) para ser construído.

O projeto final do E-ELT foi aprovado pelo Conselho do ESO em dezembro (ilustração acima). Ele deverá ser o maior telescópio do mundo, com um espelho primário de 39 metros de diâmetro, comparado a 8 metros dos grandes telescópios atuais. “Temos luz verde para começar a construir assim que tivermos os recursos necessários assegurados”, disse ao Estado Jochen Liske, astrônomo do ESO, que também participou da conferência sobre cosmologia da USP.

A construção só terá início com 90% do orçamento assegurado. Por enquanto, há apenas 60%. Um posicionamento do Brasil é esperado para a próxima reunião do conselho, em junho. “É a primeira vez que o Brasil tem papel determinante no desenvolvimento de um projeto desse porte na astronomia mundial. Sendo assim, a comunidade brasileira espera que a tramitação do processo na Casa Civil se processe rapidamente”, diz a astrônoma Beatriz Barbuy, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

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